Um fim nunca é certo. Aquele fim era, além de errado como todos os outros, injusto. Ou pelo menos era o que John pensava no exato instante que foi encontrado por Clair. Sentado no sofá, se deliciava com o susto que sua presença indesejada causara em sua ex namorada. Ela vinha o evitando algumas semanas, telefones desligados, ausência de tempo. Problemas resolvidos por John com a cópia da chave e um pouco de ousadia. Ousadia demais, foi o que ela pareceu pensar quando o mandou sair.

- Boa noite pra você também, meu amor.
- Fora, John.


A porta da rua pela qual ela passara ao entrar permanecia aberta, acompanhando as palavras da loira que ele tanto amava. Clair sempre tivera um gênio forte, mas esperá-la chegar do trabalho sem avisar era apenas uma pequena surpresa, não justificava todo aquele drama. Ela deveria ter tido um dia ruim. Despreocupado, o moreno explicou que eles precisavam conversar. Aquela briga não era o fim, os três meses de afastamento só aumentaram o amor de ambos e já era hora de deixar o orgulho de lado e voltar ao normal. Mas mais uma vez, ela não queria concordar, parecendo até mesmo irritada com o assunto que jurava estar encerrado. O sorriso de descrença nos lábios do moreno pareceu ser a gota d'água.


- Eu não te amo mais, John. Esqueça!


As palavras saltaram da boca da garota como fogo, esquentando a cabeça de seu ouvinte no mesmo instante. Um amor de quatro anos não acaba assim e se ela discordava, teria que provar. Com agilidade, levantou-se do sofá e caminhou até Clair com um olhar quase agressivo.


- Duvido!


As mãos fortes e grandes do moreno a prenderam em um beijo sem saída. Ela tentava gritar, lutando contra um inimigo que a apertava com uma força desleal. Para ele, meros sinais de infantilidade e teimosia. A resistência de Clair despertava nele uma raiva quase incontrolável.
Mas quando finalmente afastou seus lábios dos dela, viu olhos cheios de medo e terror.


Sentiu a porta bater assim que seu corpo passou pelo batente. Caminhou pela rua com os pensamentos em alta velocidade. Percebeu então que o medo que vira nos olhos da loira não era dele, era do amor. Ainda estava fragilizada com o fim, mas logo estaria ao seu lado. E ele voltaria, até que ela admitisse que pertencia a ele.
John podia ver o futuro. Só esqueceu de ver a sinaleira e o caminhão da rua que cruzava enquanto pensava em Clair.

E então nunca mais pode ver nada.




Muse - Supermassive Black Hole

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E eu não escrevo melhor...

Quando estou preso no chão Então não me ensine uma lição Pois eu já aprendi Eu não quero o que você quer Eu não sinto o que você sente Veja estou preso numa cidade Mas eu pertenço ao campo Tudo bem E o coração bate em sua gaiola

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