O barulho e a fumaça daquele pequeno bar me entorpeciam juntamente com aquele liquido cristalino que repousava no copo sujo a minha frente. Afinal, o que era aquilo? Não lembrava se era água ou algo que eu preferiria não saber o nome. Olhei em volta novamente constatando a precariedade das pessoas que bebiam e fumavam, tentando a pobre da garçonete, que provavelmente não sabia mais o que estava fazendo ali.
Acho que nem eu mais sabia, ou fingia não saber? Inalei o ar quente pegando a minha mochila do chão, puxando o celular, suspirando ao ver as duas chamadas não atendidas. Não acredito que ele realmente tentou me procurar. Não depois daquela noite. Não depois das coisas que ele me jogou na cabeça. Apenas uma farsa para não ser chamado de despreocupado e irresponsável. Guardei o celular, deixando algumas moedas perto do copo intocado, passando pela porta. O ar frio bateu no meu rosto aliviando o sufoco que eu sentia, me fazendo ver o abismo em que eu me encontrava, procurando por uma corda que me segurasse.
Um abismo de raiva e vingança. Um medo, uma magoa encoberta pelo desejo de magoar as pessoas, uma forma de se proteger, dizendo 'Não sou quem você quer'. Tento entender como posso me sentir assim em relação ao meu próprio pai. As lágrimas ameaçam a cair sempre que me lembro dele ao lado da mulher jovem que ele trouxe para dentro do meu pequeno mundo. Não aprenderia a lidar com a situação e seria difícil conviver com ela, mas não impossível. Estava sozinha desta vez; sem opções. Impossível fingir não ver a traição a minha frente, correr da verdade não me salvaria hoje; só me deixaria mais fraca.
Encarei o abismo e pulei.
Postado por
xoxo
0 comentários:
Postar um comentário